Interlecção de Texto V

Questões sobre o texto entitulado "Para quem quer aprender a amar".

PARA QUEM QUER APRENDER A AMAR

“Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor, ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.


Tenho visto muito amor por aí. Amores mesmos, bravios gigantescos, descomunais, profundos, descomunais, cheios de entrega, doação é dádiva. Mas esbarraram na dificuldade de se tornar bonitos. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebem ameaçados apenas e tão-somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam, reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem enchem-se de razões. Ter razão é o maior perigo do amor. Quem tem razão sempre se sente no direito de (e o tem) reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira; ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada.

Amor bonito é saber na hora de ter razão.


Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer. Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança. E sem soltar a criança nenhum amor é bonito.


Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se encabulamentos, ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações, adiar sempre, se possível com beijos, aquela conversa importante que precisamos ter; arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama, toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo cobrando a que deixou de ter.


Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como a criança de nariz encostado na vitrina cheia de brinquedos dos nossos sonhos); não teorize sobre o amor: ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.


Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração contar a verdade do tamanho do amor que sente.
Jogue por alto as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge da sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Guaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal Infantil. Revivendo os carinhos que intuiu em criança. Sem medo de dizer eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.


Talvez aí você consiga fazer o amor bonito o seu amor, ou bonitar fazendo o seu amor, ou amar fazendo os seu amor bonito (a ordem das frases não alteram o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é, e nunca deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi, possível, ser.


Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.”

(TÁVOLA. Artur da. Para quem quer aprender a amar. Ir: COSTA. Dircemaura Luchhetti et al. Estudo de texto estrutura, mensagem, recriação RIO DIMAC 1987 p. 25-6)

01. O texto:
a) Ironiza o amor piegas
b) Enaltece o amor romântico
c) Critica o amor sincero
d) Racionaliza o amor

02. Conforme o texto:
a) O belo é amar racionalmente
b) O amor bonito tem que ser puro
c) A ansiedade é o melhor meio para amar
d) Os amantes devem ser muito realistas

03. Pelo texto é correto afirmar-se que:
a) O amor e a infância têm algo em comum
b) É difícil encontrar o conteúdo do verdadeiro amor.
c) A rotina valoriza o amor.
d) O egoísmo faz bonito o amor.

04. Desprende-se pelo texto que:
a) Para os pequenos amores, falta somente a beleza.
b) Todos os amores nunca têm qualquer obstáculo.
c) Existem grandes amores que são limitados.
d) O limite dos grandes amores está no romantismo.

05. É característica do amor bonito:
a) Haver uma terceira pessoa no namoro.
b) Dar muitas explicações sobre o relacionamento amoroso.
c) Cobrar muito da pessoa amada.
d) Dar-se sem mais preocupação de mais receber.

06. “que ninguém aceita aprender”, traduz a idéia de:
a) Causa.
b) Condição.
c) Coformidade.
d) Conseqüência.

07. Os “amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras”:
a) Revelam cuidado e carinho.
b) Significam opressão amorosa.
c) Sugerem amor difícil e trabalhoso.
d) Indicam egoísmo e desespero.

08. A correspondência de sentido está correta, conforme o contexto, em:
a) “apenas”: também.
b) “por aí”: nesse lugar.
c) “mesmo”: próprio.
d) “apenas”: somente.

09. “Sem soltar a criança”, revela uma atitude de:
a) Livre imaginação.
b) Raciocínio objetivo.
c) Dedução racional.
d) Indução imposta.

10. Está empregada no sentido conotativo a palavra:
a) “cercas”
b) “escritores”
c) “brinquedos”
d) “manhãs”

11. Os escritores que vêem a vida “como criança de nariz encostado na vitrina cheia de brinquedos dos nossos sonhos”.
a) Ficam revoltados com a vida
b) Têm vontade de comprar o amor.
c) Encaram a vida com fantasia.
d) Tem o poder da conquista amorosa.

12. “Como”, introduz a idéia de:
a) Causa
b) Comparação
c) Conformidade
d) Meio

13. Pertencem a mesma área semântica as palavras:
a) “simples, tolo, natural”
b) “descomunais, profundos, sinceros”
c) “entrega, doação, dádiva”
d) “Cobram, exigem, rotinizam”

14. “Sobre”, pode ser substituído por:
a) Acerca de.
b) A cerca de.
c) Há cerca de.
d) Por meio de.

15. “Produto”, eqüivale semanticamente a:
a) Caminho.
b) Comodismo.
c) Resultado.
d) Trocadilho.





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